Século XV-XVI – A Lírica

pluma-y-tinta-para-escribir (1)António Ferreira

Nasceu em Lisboa, em 1528. Frequentou em Coimbra o curso de Humanidades e Leis e doutorou-se em Cânones. Foi professor da Universidade e conviveu com os grandes humanistas do tempo, como Diogo de Teive, Jorge Buchanan e os irmãos Gouveia. Casou com D. Maria Pimentel, que morreu após três anos de casamento. Voltou a casar, em 1564, com D. Maria Leite, de Cabeceiras de Basto. Foi nomeado Desembargador da Casa do Cível, mas uma epidemia vitimou-o em 1569, com apenas 41 anos.

Na poesia deixou vários sonetos, epigramas, odes, elegias, éclogas e cartas.
No teatro compôs algumas comédias e construiu a melhor tragédia da época: A Castro.

Bernardim Ribeiro

Pressupõe-se que tenha nascido na vila de Torrão, no Baixo Alentejo, cerca de 1482. Sabe-se que frequentou a corte de D. Manuel I, foi escrivão da câmara de D. João III e colaborou no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. Esteve em Itália em missão oficial, onde encontrou Sá de Miranda, de quem seria grande amigo. De regresso viveu bastante tempo no Minho, em S. Nicolau de Basto. Julga-se que morreu louco, no hospital de Todos-os-Santos, por volta de 1552. Introdutor da poesia bucólica, deixou cinco éclogas e a novela sentimental Menina e Moça.

Camões

Não se conhece ao certo a data e local de nascimento, embora se julgue que terá acontecido cerca de 1524, em Lisboa ou em Coimbra. Filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá (ou Ana Macedo, segundo alguns documentos), pertence a uma família nobre de origem galega.

Na sua obra verifica-se que possuía uma profunda educação humanística, mas desconhece-se o seu percurso escolar. É provável que tenha frequentado o curso de Artes em Coimbra, sob a protecção do seu tio, D. Bento de Camões, cónego de Santa Cruz. Frequentou a corte, meteu-se na boémia, seguiu a carreira das armas, e em Ceuta perdeu um dos seus olhos. Em 1552 envolveu-se numa rixa com um funcionário do Paço, o que o levou à cadeia do Tronco. Concedida a liberdade, embarcou para a Índia, onde levou uma vida acidentada.

No Oriente, as aventuras e desventuras repartiram-se por Goa, Golfo Pérsico, Molucas, Macau (onde desempenhou o cargo de Provedor dos Defuntos e Ausentes) e outros locais. Foi nomeado governador da feitoria de Chaul, mas não chegou a ocupar o cargo. Regressado à pátria, depois de uma passagem por Moçambique, publicou Os Lusíadas, pelo que lhe foi concedida, por alvará de 23 de Junho de 1572, uma tença anual de quinze mil réis.

Infeliz nos amores – aponta-se frequentemente como suas apaixonadas e inspiradoras a sua prima Isabel Tavares, a infanta D. Maria, D. Catarina de Ataíde, D. Francisca de Aragão, a chinesa Dinamene e outras – queixa-se dos próprios erros e do destino que teve. Morreu a 10 de Junho de 1580.

Conhecido como épico, por ter legado Os Lusíadas, notabilizou-se também na lírica, quer servindo-se da medida velha – vilancetes, cantigas, esparsas, trovas, endechas – quer usando a medida nova – sonetos, odes, canções e elegias.

As redondilhas camonianas são, na grande maioria, glosas de motes, uns do próprio autor, outros alheios, muitos deles «cantigas velhas», que o autor desenvolve para delas extrair um conceito. De modo geral, a redondilha, pelo seu verso curto, é pouco maleável, e o seu ritmo, por isso, pouco pessoal. Dir-se-ia que o poeta não comanda o ritmo do verso, antes é comandado por ele.

O Universo é para Camões uma grande e multiplicada história de amor. O seu mundo mitológico tem uma única lei: a beleza.

É considerado o artista mais completo do Renascimento.

Diogo Bernardes

Nascido em Ponte da Barca, em 1520, estudou em Braga, foi moço de câmara do rei D. Sebastião, acompanhou-o a Marrocos (como poeta incumbido de cantar os feitos da expedição no Norte de África) e ficou prisioneiro na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578.

Bem relacionado com algumas das figuras das Letras do século XVI (Sá de Miranda, António Ferreira, Andrade Caminha e outros) foi sempre fiel aos seus modelos: os clássicos latinos (Horácio) e os renascentistas espanhóis e italianos (Petrarca). Morreu em 1605.

Enganar-se-ia quem o supusesse um poeta regionalista, que fizesse o fundo da sua obra com a paisagem minhota, episódios da vida minhota e modismos da linguagem minhota. Longe do poeta tal pensamento, por inconcebível numa época em que se não julgaria matéria literária de interesse e valor a diversificação regionalista.

Sá de Miranda

Nasceu em 1481, em Coimbra, e faleceu em 1558, na Quinta da Tapada, em Amares. Frequentou a Universidade, onde se formou em Direito, chegando ao Desembargo do Paço Real. Esteve em Itália, onde se relacionou com os grandes vultos do Renascimento, graças a Vittoria Colonna, de quem era parente. D. João III deu-lhe uma das comendas da Ordem de Cristo, a de Duas Igrejas, no conselho de Vila Verde.

Da sua obra, merece destaque a introdução do soneto em Portugal. Deixou éclogas, comédias, sátiras, poemas e cartas.

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