Autores Chilenos – Pablo Neruda

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Viveu entre 1904 e 1973. Foi um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX e cônsul do Chile em Espanha (1934 – 1938) e no México. Para além disso, foi um destacado activista político, senador, membro do Comité Central do Partido Comunista do Chile, pré-candidato à presidência do seu país e embaixador em França. Entre os seus muitos méritos, destacam-se o Prémio Nobel de Literatura em 1971 e um Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Oxford. É considerado um dos melhores e mais influentes artistas do seu século, «o maior poeta do século XX em qualquer idioma», segundo Gabriel Garcia Márquez.

Pablo Neruda nasceu a 12 de Julho de 1904. A mãe morreu quando ele tinha apenas um mês de vida. Ainda adolescente, adoptou o pseudónimo Pablo Neruda (inspirado no escritor checo Jan Neruda), que utilizaria durante toda a vida, tornando-se o seu nome legal, após acção de modificação do nome civil.

Em 1906, o seu pai transferiu-se para Temuco, onde se casou com outra mulher, que o poeta menciona em diversos textos, como Confesso que vivi e Memorial de Ilha Negra. Estudou no Liceu de Homens dessa cidade e ali publicou os seus primeiros poemas no periódico regional A Manhã. Em 1919, obteve o terceiro lugar nos Jogos Florais de Maule com o poema Noturno Ideal. Em 1921, radicou-se em Santiago e estudou pedagogia em francês na Universidade do Chile, obtendo o primeiro prémio da Festa da Primavera com o poema A Canção de Festa, publicado posteriormente na revista Juventude. Em 1923, publica Crepusculário, que é reconhecido por escritores como Alone, Raúl Silva Castro e Pedro Prado. No ano seguinte aparece pela Editorial Nascimento a obra Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, onde ainda se nota uma influência do Modernismo. Posteriormente, manifesta um propósito de renovação formal, de intenção vanguardista, em três breves livros publicados em 1936: O habitante e sua esperança, Anéis e Tentativa do homem infinito.

Em 1927 começa a sua longa carreira diplomática quando é nomeado cônsul em Rangum, na Birmânia. Nas suas múltiplas viagens conhece em Buenos Aires Federico Garcia Lorca e, em Barcelona, Rafael Alberti. Em 1935, Manuel Altolaguirre entrega a Neruda a direcção da revista Cavalo verde para a poesia na qual se faz companheiro dos poetas da sua geração. Nesse mesmo ano aparece a edição madrilena de Residência na terra.

Em 1936, eclode a Guerra Civil Espanhola; Neruda é destituído do cargo consular e escreve Espanha no Coração. Em 1945 é eleito senador. No mesmo ano, lê para mais de 100 mil pessoas no Estádio do Pacaembu em homenagem ao líder comunista Luís Carlos Prestes. Em 1950 publica Canto Geral, onde a sua poesia adopta intenção social, ética e política. Em 1952 publica Os Versos do Capitão e em 1954 As uvas e o vento e Odes Elementares.

Em 1953 constrói a sua casa em Santiago, apelidada de «La Chascona», para se encontrar clandestinamente com a sua amante Matilde, a quem havia dedicado Os Versos do Capitão. A casa foi uma das três que teve no Chile. «La Chascona» é um museu com objectos de Neruda e pode ser visitada. No mesmo ano, recebeu o Prémio Lenine da Paz.

Em 1958 apareceu Estravagario, uma nova mudança na sua poesia. Em 1965 foi-lhe outorgado o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, Grã-Bretanha. Em Outubro de 1971 recebeu o Nobel de Literatura. Após o prémio, Neruda é convidado por Salvador Allende para ler para mais de 70 mil pessoas no Estádio Nacional de Chile.

Morreu em Santiago, a 23 de Setembro de 1973, de cancro na próstata.

Depois do golpe militar de 11 de Setembro a sua saúde havia-se agravado e no dia 19 é transferido com urgência de sua casa para Santiago, onde veio a morrer no dia 23, às 22 horas e 30 minutos na Clínica Santa Maria.

Em 2011, um artigo recolheu declarações de Manuel Araya Osório, assistente do poeta desde Novembro de 1972 até à sua morte, que assegurava que Neruda havia sido assassinado na clínica com uma injecção letal. A casa de Neruda em Santiago foi saqueada depois do golpe encabeçado pelo general Augusto Pinochet e os seus livros incendiados. O funeral do poeta foi realizado no Cemitério Geral. Teve a presença dos membros da directiva do Partido Comunista, mesmo estando em condições de perseguidos pelo regime terrorista de Pinochet. Ainda que cercados por soldados armados, escutaram-se desafiantes gritos em homenagem a Neruda e Salvador Allende, e cantou-se a Internacional. Depois do funeral, muitos dos participantes não puderam fugir e acabaram engrossando a lista de mortos e desaparecidos pela ditadura.

Encontra-se sepultado na sua propriedade em Santiago, no Chile. Postumamente foram publicadas as suas memórias em 1974, com o título Confesso que vivi.

Em 1994, um filme chamado O Carteiro de Pablo Neruda conta a sua história na Isla Negra, no Chile, com a sua terceira mulher, Matilde. No filme, que é uma obra de ficção, a acção foi transposta para Itália, onde Neruda se teria exilado.

Durante as eleições presidenciais do Chile nos anos 70, Neruda abdicou da sua candidatura para que Allende vencesse, pois ambos eram marxistas e acreditavam numa América Latina mais justa o que, a seu ver, poderia ocorrer com o Socialismo.

De acordo com Isabel Allende, no seu livro Paula, Neruda teria morrido de «tristeza» em Setembro de 1973, ao ver dissolvido o governo de Allende. A versão do regime militar do ditador Augusto Pinochet (1973-1990) é a de que ele teria morrido devido a um cancro de próstata. No entanto, fontes próximas, como o motorista e ajudante do poeta na época, Manuel Araya, afirmam com insistência que o poeta teria sido assassinado, estando a própria justiça do Chile a contestar a versão oficial sobre a sua morte. Em Fevereiro de 2013, um juiz chileno ordenou a exumação do corpo do poeta, no âmbito de uma investigação sobre as circunstâncias da morte.


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Livro onde se cruza o erotismo da poesia que celebra o corpo da mulher, com o gosto que Neruda tem pela natureza. Nestes poemas, é frequente que os dois planos se cruzem, havendo uma certa identificação entre o corpo feminino e o mundo natural (as paisagens, a terra…).

Neruda escreveu estes poemas quando tinha cerca de vinte anos, mas são alguns dos mais celebrados da sua obra.

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