Séc. XIX/XX

O fim do século encontra-se marcado por tensões, por contradições, por uma visão patética e dramática do mundo, pela inquietação. A Arte e a Literatura continuam a coabitar e procuram traduzir este mundo e o ser humano que o habita. Não há propriamente uma corrente estética.

Entre os autores de destaque no século XIX estão Cesário Verde, Eugénio de Castro e Camilo Pessanha, para além da famosa Geração de 70, com Antero de Quental, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão e Eça de Queirós.

Enquanto a revolução científica, técnica e industrial traz a crença no progresso e uma grande euforia perante as potencialidades da máquina e de «todas as dinâmicas», a revolução socialista põe em perigo a burguesia. Quando em 1914 se inicia a I Guerra, o mundo inteiro questiona os valores e descrê dos sistemas políticos, sociais e filosóficos.

O Realismo e o Naturalismo na Narrativa e no Teatro e o Modernismo (Presença) na Poesia surgem como exemplos de tendências literárias opostas, que no entanto, têm em comum uma certa refutação do Romantismo. Na base do Modernismo surge o Simbolismo (valoriza a palavra, os efeitos musicais, sugerindo a construção de novos objectos. Recupera o significado das coisas). Destacam-se Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, com a revista Orpheu, que inclui ainda Almada Negreiros, José Régio e Miguel Torga. Os objectivos da revista passavam por divulgar uma poesia alucinada, chocante, irritante, irreverente; provocar o burguês; notar o espanto de existir; romper com o passado.

Isto porque no meio de diversas tensões sociais, políticas e mentais, a Arte e Literatura tentam a ruptura com o passado e buscam um futuro de promessas. Procurando separar-se da burguesia e do seu materialismo por meio de uma arte refinada e estetizante, surge o Modernismo (1880-1914). Representa a inquietude de uma época e procura a novidade, contra o gosto estabelecido, abrangendo todos os «ismos».


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Marcas do Modernismo: liberdade criadora, sentido aristocrático da arte, anti vulgaridade, perfeição formal, cosmopolitismo, correspondência entre várias artes, gosto pelo exótico, clássico e pitoresco, impressionismo descritivo, renovação vocabular, simplificação da sintaxe, aproveitamento das imagens visuais e musicais, liberdade estrófica.

Em Portugal, surgem duas correntes opostas: movimento tradicionalista (neogarrettismo, nacionalismo, integralismo) e a Renascença (Saudosismo). Grupos importantes fazem também a sua literatura e apresentam a sua cultura, como a Seara Nova (Neorrealistas).

Outros movimentos:

Decadentismo: ponto de chegada do Romantismo, exprime o cansaço, o tédio, a busca de novas sensações.

Futurismo: procura um corte e mesmo um aniquilamento do passado para exaltar a necessidade de uma nova vida futura, onde se tenha a consciência da sensação do poder e triunfo.

Dadaísmo: negação de tudo, destruição, contestação.

Surrealismo: apoia-se nas teorias da psicanálise, acreditando que pelo subconsciente se pode atingir a libertação total da imaginação. Rejeita o racionalismo, a lógica e sobrevaloriza o inconsciente.

Romantismo: (importância exagerada dada ao sentimento) por oposição ao Realismo (objetividade) que por sua vez se opõe ao Simbolismo.

O Saudosismo é de certa forma também uma oposição ao Realismo (símbolo de Portugal, Saudade).

Se muitos são temas de intervenção comprometida, continuamos a encontrar uma poesia e uma prosa da vida contra a morte, da busca do sagrado, da procura da identidade, dum certo messianismo e utopia, de máscaras, de aniquilamento e de vazio. A literatura portuguesa, tal como a literatura contemporânea do Ocidente apresenta-se, como a arte, num certo caminho do absurdo, talvez porque o homem, apesar de tantas descobertas científicas e avanços tecnológicos, não encontrou ainda uma explicação para a vida.

 

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