Sobre Conspiração – 2

Quem se coloca no lado confortável da barricada, não está contudo só. Também os que acreditam nessa teia de influências que gere as coisas se encontram irremediavelmente impotentes. Para já, porque diante deles descobrem a esmagadora maioria dos seus semelhantes, prontos a asfixiar à nascença qualquer ideia fora do convencional. A linha da frente que protege o Feiticeiro é composta pelos próprios conquistados.

Posteriormente, ainda que se rasguem ténues passagens por entre esse exército de furiosa descrença, deparamo-nos com toda uma rede, uma barreira maciça feita de camadas e camadas de mecanismos desmotivadores. Se, ainda assim, sobrar energia e convicção para continuar a arreliá-los, os argumentos redobram em violência, na qual se incluem perseguições, bastonadas, prisões, numa escala crescente que se pode tornar fatal.

Existem claros exemplos, muito acima do considerado cidadão comum, que apenas pode observar tudo isto do seu buraco, da sua gaiola nem sempre dourada. Num outro nível de existência, muitos dos que se armaram das ferramentas necessárias para ferir a ordem das coisas acabaram por ser destruídos, mais cedo ou mais tarde, tal como os antigos reis faziam com os rebeldes. As cabeças eram penduradas em estacas, os corpos eram crucificados ou queimados em cerimónia pública, enquanto exemplo e até entretenimento.


conspiracy


A lista inclui agitadores sociais, profetas, artistas de vários géneros, políticos, e mesmo presidentes. Tão simples quanto isso. Ainda que um cidadão seja suficientemente poderoso, ou antes, lhe tenha sido fornecido um poder temporário, basta uma frase fora do guião para ser dramaticamente removido. Em nome de uma agenda superior.

Existem outras visões. Uma delas defende que quem acredita numa linha condutora dos destinos da Humanidade, encontra nisso um substituto para a Fé. Não acreditando (em princípio) que os destinos são regidos por um ser místico, afirma então que esses mesmos destinos são manobrados por uma elite iluminada e implacável. A transmutação dos poderes divinos num antropocentrismo mundano.

 

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