Romantismo – Alexandre Herculano

autorid00642Viveu entre 1810 e 1877. Escritor, historiador, jornalista e poeta.

Como liberal que era teve como preocupação maior, estabelecida nas suas acções políticas e nos seus escritos, condenar o Absolutismo e a intolerância da coroa no século XVI para denunciar o perigo do retorno a um centralismo da monarquia em Portugal.

Alexandre Herculano nasceu no Pátio do Gil, na Rua de São Bento; a mãe, Maria do Carmo Carvalho de São Boaventura, filha e neta de pedreiros da Casa Real; o pai, Teodoro Cândido de Araújo, era funcionário da Junta dos Juros (Junta do Crédito Público). Na sua infância e adolescência não pode ter deixado de ser profundamente marcado pelos dramáticos acontecimentos da sua época: as Invasões Francesas, o domínio inglês e o influxo das ideias liberais, vindas sobretudo de França, que conduziriam à Revolução de 1820. Até aos 15 anos frequentou o Colégio dos Padres Oratorianos de S. Filipe de Nery, então instalados no Convento das Necessidades em Lisboa, onde recebeu uma formação de índole essencialmente clássica, mas aberta às novas ideias científicas. Impedido de prosseguir estudos universitários (o pai cegou em 1827, ficando impossibilitado de prover ao sustento da família) ficou disponível para adquirir uma sólida formação literária que passou pelo estudo de inglês, francês, italiano e alemão, línguas que foram decisivas para a sua obra.

Estudou Latim, Lógica e Retórica no Palácio das Necessidades e, mais tarde, na Academia da Marinha Real, estudou Matemática com a intenção de seguir uma carreira comercial.

Casou, a 01 de Maio de 1867, com Mariana Hermínia de Meira. Morreu, sem descendência, na sua quinta de Vale de Lobos, Azoia de Baixo (Santarém), a 18 de Setembro de 1877, onde se tornara agricultor e produtor do famoso «Azeite Herculano».

Encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos tendo sido para lá transladado  a 6 de Novembro de 1978.

Herculano deixou ensaios sobre diversas questões polémicas da época, que se somam à sua intensa actividade jornalística.

Foi o responsável pela introdução e pelo desenvolvimento da narrativa histórica em Portugal. Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo, desenvolvendo os temas da incompatibilidade do homem com o meio.

Como historiador, publicou História de Portugal de Alexandre Herculano, em quatro volumes, e História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, e organizou Portugalia e Monumenta Historica (colecção de documentos valiosos recolhidos de cartórios conventuais do país).

A parte mais significativa da obra literária de Herculano concentra-se em seis textos em prosa, dedicados principalmente ao género conhecido como narrativa histórica. Esse tipo de narrativa combina a erudição do historiador, necessária para a minuciosa reconstituição de ambientes e costumes de épocas passadas, com a imaginação do literato, que cria ou amplia tramas para compor seus enredos. Dessa forma, o autor situa a acção num tempo passado, procurando reconstituir uma época. Para isso, contribuem descrições pormenorizadas de quadros antigos, como festas religiosas, indumentárias, ambientes e aposentos, topografias de cidades. São frequentes as intervenções do narrador, que tece comentários filosóficos, sociais ou políticos, muitas vezes relacionando o passado narrado com o quotidiano do século XIX.

As Lendas e Narrativas são formadas por textos mais ou menos curtos, que se podem considerar contos e novelas. Herculano abordou vários períodos da história da Península Ibérica. É evidente a preferência do autor pela Idade Média, época em que, segundo ele, se encontravam as raízes da nacionalidade portuguesa.

O trabalho literário de Herculano foi, juntamente com as Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal. A partir disto, as narrativas históricas foram focando épocas cada vez mais próximas do século XIX.

Deixou ainda alguma poesia, romances não históricos e peças de teatro.


image-1Eurico, o Presbítero é um romance histórico de Alexandre Herculano datado de 1844. Fala do fim do reino visigodo formado na região que actualmente compreende Espanha e Portugal, diante da invasão dos muçulmanos, que avançaram pela maior parte da Península Ibérica no século VIII.

O enredo conta a história de amor entre Eurico e Hermengarda, que se passa na Península Ibérica visigótica do século VIII. Eurico e seu amigo Teodomiro lutam ao lado do rei da Espanha, Vitiza, contra os «montanheses rebeldes e contra os francos, seus aliados». Depois de vencer o combate, Eurico vai viver num vilarejo na área do ducado de Cantábria, no qual encontra a sua amada numa igreja, na missa, e os dois iniciam um amor secreto. Ele não sabe que ela pertence à realeza e inocentemente pede a Fávila, duque da Cantábria, a mão de sua filha, Hermengarda. Este recusa o pedido ao saber que Eurico é um homem de origens humildes.

Este entrega-se então à religiosidade, tornando-se o presbítero de Carteia, para se afastar das lembranças de Hermengarda através das funções religiosas e da composição de poemas e hinos religiosos.

No entanto, quando descobre que os árabes estão prestes a invadir a Península Ibérica, liderados por Tárique, alerta o seu amigo Teodomiro e transforma-se no enigmático Cavaleiro Negro. De maneira heróica, Eurico, agora Cavaleiro Negro, luta em defesa de sua terra e, devido a tal ímpeto, ganha a admiração dos visigodos e dos demais povos da Península, agora seus aliados, dando-lhes forças para combater o invasor.

Quando a vitória parece certa para os godos, Sisebuto e Ebas, filhos do imperador Vitiza, traem o seu povo, a fim de ganhar o trono espanhol. Logo após, Roderico, rei dos visigodos, morre na Batalha de Guadalete e o povo passa a ser liderado por Teodomiro. Enquanto isso, os árabes invadem o Mosteiro da Virgem Dolorosa e raptam Hermengarda. O Cavaleiro Negro salva-a quando o amir estava prestes a profaná-la. Durante a fuga, Hermengarda é levada até às Astúrias, onde está o seu irmão Pelágio.

Em segurança numa gruta de Covadonga, Hermengarda encontra Eurico e declara o seu amor por ele. Contudo, Eurico não acredita que esse amor se possa concretizar, devido às suas convicções religiosas, e revela a real identidade do Cavaleiro Negro. Ao saber disso, Hermengarda perde a razão e Eurico, ciente de suas obrigações, parte para um combate suicida contra os árabes.

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