Romantismo: Garrett vs. Herculano

J.H.Fuessli, Vision der Sintflut - J.H.Fuessli /Vision of the Deluge /c.1796 - J.H. Fuessli, La Vision du deluge


«…Herculano, homem sólido e hercúleo, ao pé da fragilidade adolescente de Garrett, que era 11 anos mais velho que ele…»

Em ambos os textos, a presença do herói romântico, movido por forças antagónicas, ser dividido e conflituoso consigo e com os outros, novo Prometeu, que ganha dimensão sobre-humana e trágica.

Carlos, de Viagens na Minha Terra, e Eurico o Presbítero, digladiam-se com problemas diferentes, porque diferentes são os seus autores e os objectivos das suas obras, mas aproximam-se no desencanto que os acompanha e na tragicidade que os persegue.

Em ambos, a paisagem desempenha um papel muito importante. A sensibilidade romântica cria uma atmosfera íntima entre a personagem e a natureza, sendo esta o espelho de estados de alma.

Os românticos criaram o mito da mulher-anjo, tipificado em Hermengarda (Eurico) e Joaninha (Viagens). A mulher desempenha um papel fulcral no percurso existencial do herói romântico, acompanhando-o no seu destino final.

Discurso fluente, oralizante, familiar, teatral, «feminino» em Garrett; discurso solene, majestoso, rico, abstracto, distante, «masculino» em Herculano.

 

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