Romantismo – Camilo Castelo Branco

camilo_castelo_branco_-_gravuraRomancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Viveu entre 1825 e 1890 e foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa.

É enviado para Vila Real, para casa de uma tia paterna. Tal facto torna-se relevante pois grande parte da sua obra mais famosa, Amor de Perdição, tem este distrito como cenário.

Há quem diga que, em 1846, foi iniciado na Maçonaria do Norte, o que é muito estranho ou algo contraditório, pois há indicações de que, pela mesma altura, na Revolta da Maria da Fonte, lutava a favor dos Miguelistas – como «ajudante às ordens do general escocês Reinaldo MacDonell» – que criaram a Ordem de São Miguel da Ala precisamente para combater a Maçonaria. Do mesmo modo, muita da sua literatura demonstra defender os ideais legitimistas e conservadores ou tradicionais, desaprovando os que lhe são contrários.

Em 1856 começa a relacionar-se com a sua «mulher fatal», Ana Plácido, casada com um comerciante. Em 1860 é preso na Cadeia da Relação do Porto, onde já se encontra a amante. Dois anos depois, publica Amor de Perdição.

Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Apesar de ter de escrever para o público, sujeitando-se assim aos ditames da moda, conseguiu manter uma escrita muito original.

Dentro da sua vasta obra, também se encontra colaboração da sua autoria em diversas publicações periódicas como O Panorama, a Revista Universal Lisbonense, A ilustração luso-brasileira (1856-1859), Archivo pittoresco (1857-1868), Ribaltas e gambiarras (1881), A ilustração portuguesa (1884-1890), e a título póstumo nas revistas A semana de Lisboa (1893-1895), Serões (1901-1911) e Feira da Ladra (1929-1943).

Terá sido realista ou romântico? A sua obra é predominantemente romântica. Parece incontestável. No entanto, não o é totalmente.

Camilo gostaria de se situar acima das escolas literárias. Mas os modelos clássicos vão ter sempre peso na sua produção, embora também se deixe impressionar pela literatura misteriosa e macabra. Foi imensamente influenciado por Almeida Garrett. Contudo, a fidelidade à linguagem e aos costumes populares, ao cheiro do torrão (como aponta Jacinto Prado Coelho), vai permanecer como uma das suas maiores qualidades. A crítica tem apontado que, se por um lado Camilo, nos enredos das suas novelas, com as suas peripécias mais ou menos rocambolescas, está claramente numa filiação romântica, por outro lado, nas explicações psicológicas, na maneira como analisa os sentimentos e acções das personagens, pelas justificações e explicações dos acontecimentos, pela crítica a determinado tipo de educação, não pode ser considerado simplesmente como romântico.

Jacinto Prado Coelho considera-o «ideologicamente flutuante (…) Camilo mantém-se um narrador de histórias românticas ou romanescas com lances empolgantes e situações humanas comoventes» e também diz que «o romantismo de Camilo é um romantismo em boa parte dominado, contido, classicizado» e que há ao lado do seu «alto idealismo romântico a viril contenção da prosa, um bom-senso ligado às tradições e a certos cânones clássicos, um realismo sui generis, de vocação pessoal que parece na razão directa da autenticidade do seu romantismo».

Eça de Queiroz publica a primeira versão de O Crime do Padre Amaro, já depois da sua exposição nas Conferências do Casino acerca do Realismo como nova expressão da arte. Isso faz com que Camilo, de certa maneira sentindo-se a perder terreno para o único prosador que podia ser seu rival, enverede por duas novelas, Eusébio Macário e A Brasileira de Prazins, para tentar ser mais realista. E o que é mais extremado do que o Realismo? O Naturalismo. O resultado é de um certo efeito cómico, porque Camilo, com a sua particular maneira de escrever, não se contém e acaba por fazer uma paródia do Naturalismo.

No prefácio de Eusébio Macário, Camilo afirma que não tentou ridicularizar a escola realista e alega: «…tenho sido realista sem o saber. Nada me impede de continuar». E ainda: «Eu não conhecia Zola; foi uma pessoa da minha família que me fez compreender a escola com duas palavras: ‘É a tua velha escola com uma adjectivação de casta estrangeira, e uma profusão de ciência (…) Além disso tens de pôr a fisiologia onde os românticos punham a sentimentalidade: derivar a moral das bossas, e subordinar à fatalidade o que, pelos velhos processos, se imputava à educação e à responsabilidade’.

Compreendi e achei que, há vinte e cinco anos, já assim pensava, quando Balzac tinha em mim o mais inábil dos discípulos».


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Trata-se de uma verdadeira intriga, dado que a acção se inicia e segue em gradação crescente sem pausas, nem desvios, atinge o ponto máximo e obriga à ruptura ou ao desenlace.

Os elementos dramáticos mais importantes são o ódio, o fatalismo e a morte, conferindo ao texto um clima de tragédia.

A crítica social engloba uma Nobreza decadente, a arbitrariedade da Justiça e do Exército e os vícios do Clero.

 

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