Sobre Conspiração – 3

maxresdefault


Existe alguma validade nesta ideia. Libertos do jugo de um ser mitológico, estaríamos apesar disso subjugados à vontade de uma outra entidade inatingível, que «decidiria» o nosso destino, alheio à nossa vontade. Portanto, de novo despidos de livre-arbítrio, destinados a cumprir as vontades dessa elite sombra.

Aqui chegados, teríamos de desenvolver a contenda filosófica entre determinismo e livre-arbítrio, e não é esse o propósito.

O ponto passa por reflectir se tudo o que nos acontece, de forma mais ou menos perceptível, se resume a um acaso. Se é «por acaso» que os factos, ainda que tal seja dogmaticamente negado, acabem mais cedo ou mais tarde por «confirmar» as «teorias da conspiração» alvitradas uns anos antes. Seria talvez mais confortável que as «tolices» lançadas para a arena pública redundassem em completos disparates.

O que se confirma, porém, é que tudo não passa de «torpe mentira» até estar suficientemente implementado para se tornar, de súbito, uma «inevitabilidade».

Um escape agressivo muitas vezes utilizado pelos cépticos (ou será crentes), é o tradicional: «Bom, então porque não fazes alguma coisa?».

O que isto de facto quer dizer é: «Estou confortável, se não te agrada, muda». O que se revela um argumento cheio de problemas, e mais, de intrínseca má-fé.

Primeiro, assemelha-se praticamente a dizer: «Se a chuva te chateia, voa até à atmosfera e fecha a torneira das nuvens. Se não sabes como, está mas é calado e deixa-me ficar encharcado em paz».

Ou seja, existe um limite para o que pode ser mudado e quem aconselha os críticos a mudar o imutável sabe disso perfeitamente, utilizando esse baixo argumento apenas para se «libertar» de qualquer responsabilidade ou sombra acusatória.

«Se me acusas de não querer saber, tu que sabes, muda as coisas». Esta é a rede confortável onde balançam.

Isto leva-nos para a segunda parte da questão: Se eu comprar um pacote de leite e ao bebê-lo, perceber que está estragado, não estou automaticamente obrigado a envolver-me no negócio de lacticínios ou ir chicotear a vaca, para ganhar o direito à crítica alertada.

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s