O Banco

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A meteorologia incerta destas paragens impede os planos consistentes, já que uma manhã de Verão nunca hesita em transformar-se numa tarde diluviana. O inverso também ocorre.

Contudo, descobri nos elementos tolerância suficiente para voltar a perder-me pelos caminhos dos arredores. Soltei a ferrugem das pernas, o novelo dos pensamentos, reentrei em comunhão com a Natureza. Exploro, observo, abro as janelas da expectativa ao novo e ao inesperado. Ou recordo telas já conhecidas mas nunca aborrecidas.

No final da caminhada, regressei por Sandycove e descansei os músculos desabituados num dos bancos com vista para o oceano. Está situado num miradouro relvado, com o promontório de Howth no horizonte, Dun Laoghaire à esquerda, a Martello Tower à direita. Na enseada, palco de maré cheia, um punhado de intrépidos mergulhadores, cães que chapinham nas ondas, caminhantes e merendas. O Verão possível na ilha.

Dei por mim consciente do simbolismo daquele banco. Um refúgio isolado, protegido de passados e simultaneamente cozinheiro de futuros. A partir daquele farol, tudo pode acontecer e nada mais pode acontecer. Essa contradição insanável e contudo tranquilizadora.

 

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