O Jogo

e9800443074cd81cf0614a6829c4d5f6Fui pela primeira vez a um jogo de rugby corria o ano de 2013.

Nada de assombroso, apenas um evento universitário, num campo periférico, mas um clássico entre UCD e Trinity College, uma espécie de Oxford vs. Cambridge dos pequeninos.

Segundo me explicaram, ainda que hoje tais diferenças estejam diluídas, historicamente a rivalidade nasce, à semelhança de muitas outras, a partir de diferenças religiosas e sociais. UCD (University College Dublin) está conotado com a faixa católica e popular, enquanto Trinity é bastião de protestantes e classes altas.

Apesar de quase todos os grandes da literatura irlandesa terem frequentado Trinity, com Oscar Wilde à cabeça, não me resta alternativa senão torcer por UCD, pois desde sempre estive do lado do povo, contra elites. Mesmo as que me merecem o máximo respeito, como as literárias.

UCD esteve sempre em vantagem, com o controlo do jogo nas mãos, apesar do ruidoso e maioritário apoio oferecido a Trinity. Enquanto desporto, não me desperta a mesma emoção de outros, pois apesar dos esforços dos irlandeses para me convencer do contrário, continuo a considerar o futebol como sendo o mais técnico e artístico dos desportos. O rugby, apesar de todo o frenesi, energia, mérito físico, complexidade de regras e trabalho de equipa, uma leal mistura de respeito com provocação constante, não ascende à mesma categoria artística.

Ao ser elucidado acerca das origens de tal desporto, (em geral e na Irlanda em particular) entendo perfeitamente as razões. Como quase todos, nasceu em Inglaterra, no século XIX, mas já antes se jogava numa forma primitiva entre soldados. Era considerado um «desporto de caserna», jogado entre grupos de aquartelamentos diferentes, de modo a manter a forma física e desenvolver qualidades de grupo e mesmo de táctica militar (o que se depreende de algo que envolve interminável e rude contacto físico, velocidade, força bruta, inquebrável espírito de equipa e cujo objectivo é conquistar metros de terreno ao adversário).

Também me disseram ser este o mais «democrático» dos desportos, pois existe na equipa lugar para todos os géneros de jogador, do mais alto ao mais baixo, do mais fraco ao mais poderoso.

Foram 80 minutos bem passados, que me ajudaram a melhor compreender a sociedade irlandesa.

 

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