Khalil Gibran

gibran.2Viveu entre 1883 e 1931. Nasceu na cidade de Bsharri, no norte do Líbano. Muito novo, emigrou com a família para os Estados Unidos, onde completou os estudos em Artes e Letras, dando depois início à carreira literária, escrevendo em Árabe e Inglês. No mundo árabe é considerado um rebelde político e literário. As características românticas da sua escrita, especialmente na prosa poética, provocaram o renascimento da Literatura Árabe, abrindo-lhe as portas da modernidade. Hoje em dia, ainda é considerado um herói literário no Líbano.

Na sociedade ocidental, é sobretudo conhecido pela obra O Profeta, publicada em 1923. Trata-se de um conjunto de pequenos tratados filosóficos escritos em prosa poética. O livro vendeu bem, apesar da pouca atenção da crítica, mas começou a tornar-se de facto popular nos anos 30, e sobretudo mais tarde nos anos 60, com o advento da Contracultura. Gibran é o terceiro poeta mais vendido de sempre, apenas atrás de Shakespeare e Laozi.

 

O autor nasceu no seio de uma família católica, numa pequena cidade no norte do Líbano. A mãe, Kamila, filha de um padre, tinha somente 30 anos quando ele nasceu, mas o pai era já o seu terceiro marido. Devido à pobreza da família, Gibran não teve qualquer tipo de escolaridade durante a infância, ainda que fosse regularmente visitado por padres, que lhe transmitiam ensinamentos da Bíblia e do Árabe.

O pai de Kahlil estava quase sempre em dificuldades, fossem estas laborais ou relacionadas com o vício do jogo, situação que acabou por levar à sua prisão em 1891 e à confiscação dos bens da família. Perante isto, Kamila decidiu acompanhar o irmão rumo aos Estados Unidos, seguindo com os quatro filhos para Nova Iorque, em 1895.

Assentam definitivamente no sul de Boston, numa das maiores comunidades Siro-Libanesas dos EUA. A mãe encontra trabalho e Kahlil entra na escola em Setembro de 1895. Começa por ser colocado numa turma especial para emigrantes, de modo a aprender o Inglês. Passa também a frequentar aulas de Artes. Com a ajuda de professores, trava conhecimento com um artista local – Fred Holland Day, que o encoraja a prosseguir os sonhos criativos. Em 1898, um editor decide utilizar alguns dos seus desenhos para ilustrar capas de livros.

A mãe e o irmão mais velho de Gibran sugerem-lhe contudo que preste mais atenção à sua herança cultural e não apenas às influências ocidentais. Assim, já com 15 anos, o autor regressa ao seu país para estudar em Beirute. Nesse período, cria uma revista literária estudantil com a ajuda de um colega e recebe a alcunha de «poeta». Passam-se vários anos até regressar a Boston (1902). Duas semanas antes, uma irmã morrera de tuberculose com apenas 14 anos. No ano seguinte, é a vez do irmão mais velho sucumbir à mesma doença e logo depois é a mãe que morre de cancro. Passa a ser sustentado pela outra irmã, que trabalha em costura.

Gibran torna-se um artista consagrado, sobretudo na vertente do desenho e da aguarela, tendo frequentado uma Academia de Arte em Paris entre 1908 e 1910. Nota-se a influência do Romantismo e Simbolismo nos seus trabalhos. Teve direito à sua primeira exposição em Boston logo em 1904, evento onde conheceu Mary Elizabeth Haskell, uma académica respeitada e dez anos mais velha. Forja com ela uma forte amizade, que duraria toda a vida. Haskell patrocina-lhe o trabalho em grande escala, para além de lhe corrigir todos os trabalhos em língua inglesa. A contribuição desta para as diversas obras, incluído O Profeta, foi de tal ordem que pelos padrões de hoje teria de ser considerada co-autora.

O tipo de relacionamento entre eles nunca foi claro. Enquanto alguns biógrafos garantem que eram amantes, nunca tendo casado devido à oposição da família dela, outros sugerem que nunca existiu envolvimento físico. Gibran e Haskell chegam a estar noivos mas o autor rapidamente cancela os planos, uma vez que se envolvia frequentemente com outras mulheres. Haskell acaba por se casar com outro homem, mas continua a patrocinar o autor financeiramente e a usar a sua influência para lhe abrir portas profissionais. O primeiro livro publicado foi The Madman, em 1918, um pequeno volume de aforismos e parábolas escritas em estilo bíblico, já num estilo que pode ser considerado prosa poética.

Gibran acaba por falecer em Nova Iorque em 1931, com apenas 48 anos. A causa oficial é um misto de cirrose e tuberculose, originadas pelo prolongado alcoolismo. Tal vício começou a afligi-lo algures entre a criação e publicação de O Profeta. Por essa altura, fechava-se frequentemente no apartamento, rejeitando visitas e bebendo o dia inteiro. Desejava ser enterrado no Líbano e tal desejo foi cumprido em 1932, um ano depois da morte, quando Mary Haskell e a irmã sobrevivente trataram do caso. O local, hoje em dia, é o Museu Gibran.

O autor deixou tudo a Mary Haskell. Esta acaba por descobrir um conjunto de cartas que lhe enviara, ao longo de 23 anos, pensando inicialmente em queimá-las, devido ao seu carácter íntimo, mas acabando por salvá-las pelo interesse histórico. Estas, e o restante espólio, acabaram por ser doadas à Universidade da Carolina do Norte pouco antes da sua morte, em 1964.

Gibran era um grande admirador do poeta Francis Marrash, cuja obra tinha estudado em Beirute. Os críticos afirmam que Kahlil se inspirou no estilo, ideias e nalguns casos estrutura dos textos de Marrash. A poesia do autor serve-se muitas vezes de uma linguagem formal de cariz espiritual, como se pode ver aqui:

 

«Que exista contudo espaço nessa união e que os ventos celestiais dancem em vosso redor. Amem-se mas não se aprisionem nesse amor – que este seja antes um mar ágil entre as margens das vossas almas».

 

Muitos dos textos sofrem a influência do Cristianismo, sobretudo quando falam de amor espiritual. Contudo, este misticismo acaba por ser uma fusão de diversas influências – Cristianismo, Islamismo, Judaísmo e Teosofia:

 

«Tu és meu irmão e tenho amor por ti. Esse amor existe quando te ajoelhas na tua mesquita, ou na tua igreja, ou quando rezas na tua sinagoga. Somos todos filhos de uma só fé: a do Espírito».

 

A sua obra mais famosa, como já foi dito, é O Profeta, um conjunto de vinte e seis ensaios poéticos. Atingiu o pico da popularidade nos anos 60, na Contracultura americana, e depois com o surgimento dos movimentos New Age, tendo mantido o prestígio até aos dias de hoje. Desde a primeira publicação, em 1923, nunca esteve esgotado, tendo sido traduzido em mais de 40 línguas e um dos livros mais vendidos do séc. XX, nos Estados Unidos.


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O profeta Almustafa viveu na cidade estrangeira de Orphalese durante 12 anos e está prestes a embarcar no navio que o levará de volta a casa. É então abordado por um grupo de pessoas com quem – em jeito de despedida – acaba por dialogar acerca de temas como a Vida e a Condição Humana.

O livro divide-se em diversos capítulos que lidam com os temas do Amor, Casamento, Infância, Generosidade, Alimentação, Trabalho, Alegria e Tristeza, Habitação, Vestuário, Negócio, Crime e Castigo, Leis, Liberdade, Razão e Paixão, Sofrimento, Auto-Conhecimento, Ensino, Amizade, Diálogo, Tempo, Bem e Mal, Oração, Prazer, Beleza, Religião e Morte.

Em 2012, conclui-se que o livro tinha vendido mais de nove milhões de cópias só nos EUA, desde a publicação.

Com uma ambiciosa primeira edição de 2000 exemplares, a obra consegui desde logo vender 1159 cópias. No ano seguinte a procura duplicou, e voltou a duplicar dois anos depois. Desde essa altura, aumenta consistentemente ano após ano: de 12 000 em 1935 para 111 000 em 1961, para 240 000 em 1965. Chegou ao primeiro milhão em 1957, tendo chegado a vender 5000 cópias numa única semana à escala mundial.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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